Puxada de dados: o que é, os riscos do painel de consulta e como puxar do jeito legal
O que é a puxada de dados, de onde vêm as bases dos painéis de consulta do Telegram, o que a lei diz pra quem compra e como puxar CPF e CNPJ de forma legal.
Por Fernando MormonPublicado em 9 min de leitura
O que as pessoas chamam de puxada de dados?
"Puxada" é a gíria pra consulta de dados de alguém. Quem pede uma puxada tem um pedaço de informação, como um CPF, um nome, um telefone ou uma placa de carro, e quer chegar ao resto: nome completo, endereço, empresas, dívidas. O lugar onde isso é feito ganhou o nome de "painel de consulta" ou "painel de puxar dados".
O termo se espalhou em grupos de Telegram e WhatsApp, onde vendedores oferecem acesso a painéis por assinatura, por pacote de créditos ou por consulta avulsa. Cada tipo de busca vira um "módulo": módulo CPF, módulo nome, módulo telefone, módulo placa. O comprador paga por Pix, recebe um login e começa a puxar.
A palavra também chegou ao trabalho de todo dia. Analista de crédito, imobiliária, escritório de cobrança e advogado falam em "puxar o CNPJ" ou "puxar o CPF" quando querem dizer "consultar antes de fechar negócio". Nos dois casos a pessoa quer saber com quem está lidando, mas a consulta feita num painel de grupo e a feita numa base oficial, com registro, têm consequências bem diferentes pra quem consulta.
De onde vêm os dados dos painéis de consulta?
Painel vendido em grupo quase nunca diz de onde tira as informações. Nas investigações e reportagens sobre o assunto, as origens mais citadas são estas:
- bases vazadas de empresas e órgãos, juntadas e revendidas ao longo dos anos;
- logins de sistemas públicos obtidos por invasão ou por desvio de credenciais de servidores;
- cópia de outros painéis, que por sua vez copiaram de alguém.
A Polícia Federal e polícias civis já fizeram operações contra painéis desse tipo. Nos casos noticiados, o acesso era vendido por assinatura em redes sociais e no Telegram, e os dados vinham de sistemas oficiais acessados sem autorização, com cadastro de pessoas, carteira de motorista, veículos e processos.
Base vazada também tem um problema de qualidade que pouca gente considera. Ela é uma foto de um momento. O endereço pode ser de anos atrás, o telefone pode ter mudado de dono, e duas pessoas com o mesmo nome podem aparecer misturadas, sem aviso nenhum no painel.
O que a lei diz pra quem vende e pra quem compra?
Para quem monta o painel com acesso indevido, o Código Penal tem o crime de invasão de dispositivo informático, no artigo 154-A, com pena de reclusão de 1 a 4 anos e multa. Se a invasão resulta na obtenção de informações sigilosas, a pena aumenta de um a dois terços quando os dados são vendidos ou repassados a terceiros (parágrafos 3º e 4º).
Para quem compra, a resposta depende do uso. A Lei Geral de Proteção de Dados não se aplica ao tratamento feito por pessoa natural "para fins exclusivamente particulares e não econômicos" (artigo 4º, inciso I). Puxada pra cobrar, conceder crédito, alugar imóvel ou cadastrar cliente é atividade econômica, então a LGPD vale.
A lei só permite tratar dado pessoal nas hipóteses do artigo 7º e exige finalidade "legítima, específica, explícita e informada ao titular" (artigo 6º, inciso I). Quem usa dado de painel não sabe de onde ele veio, não tem como mostrar a base legal e não guarda registro do que consultou. As sanções administrativas do artigo 52, aplicadas pela ANPD, vão de advertência a multa de até 2% do faturamento, limitada a R$ 50 milhões por infração, passando por publicização da infração, bloqueio e eliminação dos dados. O artigo 42 ainda obriga quem causa dano com tratamento irregular a reparar.
Na prática, quem mais se expõe é quem usa puxada no trabalho: a empresa que decide crédito, cobra ou cadastra cliente com base em painel fica sem defesa se alguém perguntar de onde veio a informação.
Quais os riscos práticos de comprar uma puxada?
Além da lei, comprar acesso a painel tem riscos bem concretos pra quem paga:
- Golpe: o vendedor recebe o Pix e some. Não existe contrato, nota fiscal nem a quem reclamar.
- Dado errado: base antiga, endereço desatualizado e homônimo misturado levam a cobrar a pessoa errada ou recusar um cliente bom.
- Sem prova: print de painel não serve pra dossiê de crédito, processo ou auditoria, porque você não consegue dizer a fonte nem a data.
- Exposição sua: o login, o telefone e o Pix com o seu nome ficam com o vendedor. Nas operações noticiadas, os investigadores chegaram também a quem usava os painéis.
O que dá pra puxar de forma legal?
Boa parte do que interessa num negócio está em bases oficiais, publicadas pelos próprios órgãos. São informações sobre empresas, sócios, sanções e dívidas, que existem justamente pra que terceiros possam conferir com quem estão lidando.
| O que você quer saber | Base oficial | Quem publica |
|---|---|---|
| Se a empresa existe e está ativa | Cadastro do CNPJ | Receita Federal |
| Quem são os sócios | Quadro societário, com CPF mascarado | Receita Federal |
| Se a empresa ou a pessoa foi punida | CEIS, CNEP, CEPIM e CEAF | CGU, no Portal da Transparência |
| Se a pessoa é politicamente exposta | Lista de PEP | CGU |
| Se deve à União ou ao FGTS | Dívida ativa | PGFN |
| Se aparece em publicações de processos | Diário de Justiça Eletrônico Nacional | CNJ |
| Se tem contratos com o governo | Portal Nacional de Contratações Públicas | PNCP |
Cada uma dessas bases dá pra consultar no site do órgão, uma por vez. O que um serviço de consulta faz é juntar tudo num relatório, com a data de cada base e o motivo de cada sinal de risco. O que significa cada lista restritiva está em CEIS e CNEP, e a dívida com a União tem um guia próprio em dívida ativa da União.
Como puxar dados de CPF e CNPJ no Puxa Dados?
No Puxa Dados, o painel de consulta é a área logada, em /app. O passo a passo:
- crie a conta em /cadastro com e-mail ou Google e confirme o e-mail pelo link;
- no painel, escolha a pílula "CPF", "CNPJ", "Nome" ou "Razão social";
- digite o número. Antes de consultar, o formulário confere os dígitos verificadores e avisa se o número "não fecha";
- marque a declaração. Pra CPF: "Declaro uma relação legítima com a pessoa consultada." Pra CNPJ: "Declaro uma relação comercial com a empresa consultada." Sem ela aparece "Marque a declaração para consultar.";
- clique na seta e espere até 45 segundos.
A versão grátis já responde a pergunta mais comum. No CNPJ, mostra o cadastro, a faixa de risco e quantos sócios, sanções e registros foram encontrados. No CPF, mostra o nome confirmado na Receita, o CPF mascarado e a faixa de risco. O relatório completo, com score de 0 a 100, cada sinal com fonte e o PDF, custa R$ 9,90 avulso, 1 crédito do pacote de 10 por R$ 79, ou entra na franquia dos planos Starter (R$ 59 por mês, 10 relatórios) e Essencial (R$ 149 por mês, 30 relatórios). Os valores estão na página de preços.
Se você só tem o nome da pessoa, a pílula "Nome" lista quem tem aquele nome, com o CPF mascarado, a data de nascimento e o nome da mãe, pra você escolher a pessoa certa. O que sai de cada documento está detalhado nas páginas puxar CPF e puxar CNPJ.
O que muda entre um painel de grupo e uma consulta registrada?
Nos dois casos a tela tem um campo pra digitar e um resultado. O que muda são as regras antes e depois da consulta:
| Painel de grupo | Consulta no Puxa Dados | |
|---|---|---|
| Origem dos dados | Não informada | Sanções, PEP, dívida, sócios e processos vêm de bases oficiais, com a data de cada uma em "Fontes consultadas" |
| Quem pode consultar | Quem pagou o acesso | Quem tem conta com e-mail confirmado |
| Finalidade | Nenhuma | Declaração de relação legítima ou comercial em cada consulta |
| Registro | Não existe, ou fica com o vendedor | Usuário, data e finalidade de cada consulta |
| CPF consultado | Exposto | Guardado mascarado, no mesmo formato das bases federais |
| Homônimo | Misturado sem aviso | Separado por nível de confiança |
| Prova | PDF com hash e QR de conferência | |
| Pagamento | Pix pra desconhecido | Nota e preço publicado |
O PDF pode ser conferido por qualquer pessoa pelo QR, como explica o guia verificar a autenticidade do relatório. Os termos de uso proíbem consultar pra vigiar alguém ou revender dados, e não existe página pública de pessoa física no site.
Quando puxar dados de alguém faz sentido?
Puxar dados faz sentido quando existe uma relação real e um motivo que a LGPD reconhece. As hipóteses do artigo 7º que mais aparecem nesse tipo de consulta:
- Proteção do crédito (inciso X): vender a prazo, emprestar, alugar.
- Interesse legítimo (inciso IX): cadastrar cliente ou homologar fornecedor.
- Exercício regular de direitos (inciso VI): processo, cobrança, execução.
- Procedimentos preliminares de contrato (inciso V): antes de contratar um prestador ou fechar um negócio.
Curiosidade sobre ex, vizinho ou alguém da internet não entra em nenhuma delas. O guia consultar CPF de pessoa física detalha cada hipótese. Se o objetivo é avaliar uma empresa antes de comprar ou contratar, veja como saber se uma empresa é confiável.
Pra começar, crie a conta em /cadastro e faça a primeira consulta no painel.
Perguntas frequentes
Quem compra puxada de CPF pode ter problema?
Pode. Se a puxada é usada pra cobrança, crédito, locação ou cadastro de cliente, a LGPD se aplica, e dado de origem desconhecida, sem finalidade nem registro, não tem como se sustentar. Uma empresa fica sujeita às sanções administrativas da ANPD, e quem causa dano com tratamento irregular tem de reparar.
Existe painel de consulta grátis e legal?
Existem consultas oficiais grátis, uma por vez: o comprovante do CNPJ na Receita, as listas de sanções no Portal da Transparência e a lista de devedores da PGFN. No Puxa Dados, a ficha pública da empresa e a versão grátis do relatório também não custam nada. Painel que promete tudo de graça sobre qualquer pessoa não é oficial.
O Puxa Dados é um painel de consulta?
É um painel no sentido de área onde você digita um CPF ou CNPJ e recebe um relatório. A diferença está nas regras: cada consulta exige conta, declaração de relação com a pessoa ou a empresa e fica registrada com usuário, data e finalidade.
Meus dados podem estar num painel desses?
Podem, porque esses painéis juntam vazamentos de muitas origens. A Receita Federal orienta registrar boletim de ocorrência em caso de uso indevido do número do CPF. Também vale ficar atento a mensagens que citam seus dados pra pedir dinheiro ou códigos.
Precisa puxar um CPF ou CNPJ? Faça com registro.
Digite o número, crie a conta com e-mail ou Google e veja o cadastro, a faixa de risco e quanto foi encontrado nas fontes. Sem cartão.


